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AMIZADE CHICO XAVIER, NAS VEIAS DO AMOR
Amizade é ligação afetiva baseada na relação pacífica incondicional, sem formas e sem limites definidos de expressão; na doação sem preconceitos baseada na complementaridade das diversidades de um e de outro.
Lança-se simpatia e se atrai aquele que passa; com ela se entende nas mútuas competências, nos chamamentos humanos de se doar e conviver.
A necessidade básica da amizade é oferecer e doar, é retribuir a todos aquilo que se tem a impressão ter-se recebido para ser-se ser humano integral.(1)
Ainda conservamos estranhezas sobre a convivência do amor e da amizade.
Da amizade há o despertar do amor, é o primeiro elo simpático, o que mencionamos como "amor à primeira vista". Amizade é o ninho do amor comum.
Amigos não se intrigam, não se instigam, não disputam interesses. O sentimento de amizade é puro, sem distorções: porém, quando a amizade se quebra os amigos sofrem os desvios dos impulsos e interferências de fraquezas pessoais. Nas quebras dos elos de simpatia a paixão gradeia campos onde se desenvolvem dramas e sofrimentos. O incentivo para a superação deles tem por fundamento o retorno à amizade. (2)
Nenhum de nós gosta de viver sozinho. O isolamento é lugar para cismar, para avaliar, para retomar impulsos pessoais e conquistar relações estáveis de amizade. O solitário está cuidando de cicatrizes, muitas vezes conquistadas nas refregas das paixões impensadas, e dos amores possessivos. O homem transita sempre entre o culto às paixões e a harmonia da amizade, entre o amor possessivo do prazer e a calma das relações amigas.
É comum a amizade naufragar no ciúme, na prepotência e no caudaloso rio da ambição. Estes "amigos" se comprazem nas reservas de privilégios, na chantagem de afetos, e em nome de interesses comuns isolam-se em confrarias nas asas do poder. (3)
Transitar entre o desejo e o afeto imaterial, entre as descobertas impulsivas e as relações imemoriais de companheirismo, são os exercícios obrigatórios da vida.
O amor parece constituir-se na dimensão de onde tudo o que seja humano se origina, que inspira as demais relações pessoais. Contudo, podemos também imaginar que o amor pode ser a realização final, onde culmina todo o processo que se constrói através das vivências e manifestações de emoções e afetos dito menores, como caminhos, a semelhança dos galhinhos anônimos que o pássaro recolhe para compor seu ninho. (4)
A amizade é comum em todo coração, do homem mais vil ao mais virtuoso. Em nome da amizade cada ser pode olhar o outro como igual e reconhecer no seu semelhante, necessidades e os potenciais de realização.
É por amizade que o pai recebe o filho. É por amizade que um coração agasalha outro. Sem esse referencial de fraternidade o amor não se ampara, o amor não realiza a obra de criação das almas puras que é seu papel fundamental entre as criaturas.
A diversidade ganha condição de interesse, não de anormalidade, quando alguém olha para o outro com amizade e dele assim se aproxima. (5)
Se desejarmos conhecer o ser humano desenvolvamos o germe afetivo da amizade. Se desejarmos conviver com ele e criar laços de realização prossigamos a amá-lo. Desse modo perceberemos que amizade e amor devem se alimentar, tal o rio e o oceano.
Podem, desequilibradamente, existir também isolados. Amizade sem amor é coexistência pacífica, cada um na sua própria dimensão. Amor sem amizade é caminho aberto à paixão, medrando aí o desrespeito à humanidade do outro.
O equilíbrio existe onde convivem a amizade e o amor. (6)
Referências interessantes:
(1) Lei de sociedade - necessidade de vida social, questões 766/768 - O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec.
(2) Retorno à vida corporal - simpatias e antipatias terrenas, questões 386/391 - O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec.
(3) Lei de sociedade - vida de isolamento. voto de silêncio, questões 769/771 - O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec.
(4) Perfeição moral - as virtudes e os vícios, questões 893/895 - O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec.
(5) Vida espírita - relações simpáticas e antipáticas dos espíritos, questões 291/303 - O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec.
(6) Perfeição moral - das paixões, questões 907/912 - O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec. é emanação da alma, como suave borboleta, toca sutilmente os acontecimentos da vida. Ele nasce na emoção (António Damásio, "Em Busca de Espinosa", Editora Schwarcz Ltda, 2003), mas se constrói a partir das intenções da alma.
CHICO XAVIER
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